terça-feira, 1 de maio de 2007

Carta aos Homens

CARTA AOS HOMENS- Texto de Xico Sá
Achei o máximo...
Amigas, peço licença para me dirigir aos meus semelhantes, esses seres que andam tão assustados. Como esta sábia revista é dedicada a vocês, mostrem aos seus homens, namorados, pretendentes, mostrem, recortem, larguem a página aberta no banheiro, no computador, colem na geladeira deles, na TV, mas não antes do futebol, pois há o risco de ser ignorada, enfim, me ajudem para que esta minha carta aberta aos rapazes chegue, de alguma forma, ao alcance deles.
Amigos, chega dessa pasmaceira, dessa covardia amorosa. Se vocês soubessem o que elas andam falando por aí. Horrores a nosso respeito. O pior é que elas estão cobertas de razão. Caros, estamos sendo tachados de frouxos, rascunhos de homens. Prestem atenção, amigos, faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós corre delas ao menor sinal de vínculo, logo após a primeira manhã de sexo. O que é isso companheiros? Fugir à melhor das lutas? Nem vou falar na falta de educação do dia seguinte. Ora, mandem nem que seja uma mensagem, seus preguiçosos, ordinários. O que custa um telefonema, queiramos ou não dar seqüência à história?! Ora, depois daquela intimidade toda! Um mimo em palavra: "Foi ótimo, noite linda!". Amigos, erramos ao pensar que elas querem urgentemente nos levar ao altar. Erramos feio. Muitas vezes, elas desejam só o que nós também desejamos: uma bela noitada! Por que exigimos segunda chance apenas quando brochamos? Ah, eis o ego do macho ferido.
Sim, muitas querem uma história com firmes laços afetivos. Primeiro que esse desejo é legítimo, lindo, está longe de ser crime, e pode ser ótimo para todos nós. Enquanto permanecermos com esse medinho, nesse eterno "estou confuso", perdemos chances de viver, no mínimo, bons momentos de felicidade. Afinal, para que estamos sobre a terra, só para morrer de trabalhar e enfartar com a final do campeonato? Amigos, mulher não é para ser temida, é para nos dar o melhor da existência, para completar-nos, nada melhor do que a lição franciscana do "é dando que se recebe". Amigos, até sexo pra valer, aquele de arrepiar, só vem com a intimidade, os segredos da alcova, o desejo forte que impede até o ato que mais odiamos, a velha brochada da qual tratamos aí ao lado. Caros, esqueçamos até mesmo o temor de decepcioná-las, no caso dos exemplares mais generosos do nosso clube. Não há decepção maior no mundo do que a nossa covardia em fugir do que poderia ser os bons momentos da felicidade possível, repito, não a felicidade utópica, mas a felicidade que escapa covardemente entre nossos dedos a toda hora. Acordemos, amigos homens!
Rapazes, o amor acaba, em qualquer esquina ou estação, depois do teatro, a qualquer momento, como dizia Paulo Mendes Campos, mas ter medo de enfrentá-lo é ir desta para outra mascando o jiló do desprazer e da falta de apetite na vida. Falta de vergonha na cara e de se permitir ser chamado de homem para valer e de verdade.

Xico Sá é colunista de UMA e autor de Divina Comédia da Fama - purgatório, paraíso e inferno de quem sonha ser uma celebridade (Editora Objetiiva)